CONTRATUALISMO, RACIONALIDADE E DECISÃO PRÁTICA: LIMITES DO LIBERALISMO CONTEMPORÂNEO

MÁRCIO PUGLIESI, RAMON ANDREAZZA CLEMENTE MATEO

Abstract


O presente trabalho tem por objetivo analisar a contribuição histórica dos filósofos contratualistas da modernidade — em especial Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau — para a consolidação das liberdades fundamentais e para a formação do direito internacional dos direitos humanos. A partir de uma incursão histórico-teórica na Revolução Francesa e nas revoluções liberais, demonstra-se como essas ideias, inicialmente situadas no plano do dever-ser, foram progressivamente positivadas nas constituições contemporâneas e nos principais instrumentos internacionais de proteção dos direitos humanos. Em seguida, o artigo examina o contratualismo contemporâneo, sobretudo nas obras de John Rawls e Amartya Sen, identificando limites estruturais nos pressupostos decisórios dessas teorias. Por fim, propõe-se a racionalidade prudencial negativa como critério crítico complementar, apto a lidar com decisões jurídicas e políticas em contextos marcados por conflito trágico, incomensurabilidade, assimetrias epistêmicas e irreversibilidade.


Keywords


Contratualismo; Direitos Humanos; Direitos Fundamentais; Liberalismo; Racionalidade Prudencial Negativa; Direito Internacional dos Direitos Humanos.

References


ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Antonio Pinto de Carvalho. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

ARISTÓTELES. Política. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: UnB, 1997.

ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Eudoro de Sousa. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2004.

ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. Tradução de Sérgio Bath. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

BERLIN, Isaiah. Four Essays on Liberty. Oxford: Oxford, 1969.

BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

BOBBIO, Norberto. O positivismo jurídico: lições de filosofia do direito. Tradução de Márcio Pugliesi et alii. São Paulo: Ícone, 1995.

BOBBIO, Norberto. Thomas Hobbes e a origem do Estado moderno. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

BOBBIO, Norberto. A teoria das formas de governo. Tradução de Sérgio Bath, Brasília: UnB, 1987.

CARRÉ DE MALBERG, Raymond. Contribution à la théorie générale de l’État. Paris: Sirey, 1920.

CASSIRER, Ernst. A filosofia das luzes. Tradução de Álvaro Cabral. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

CICCO, Claudio. História do direito. São Paulo: SaraivaJur, 2023.

DERATHÉ, Robert. Jean Jacques Rousseau et la science politique de son temps. 2. ed. Paris: Vrin, 1970.

DUNN, John. The political thought of John Locke: an historical account of the argument of the “Two Treatises of Government”. Cambridge: Cambridge, 1969.

FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. v. 2: Teoría de la democracia. Madrid: Editorial Trotta, 2011.

FIORAVANTI, Maurizio. Constitucionalismo: experiências históricas. São Paulo: Saraiva, 2001.

FOOT, Philippa. Virtues and Vices. Oxford: Oxford University, 1978.

FRANÇA. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789).

FREUD, Sigmund. Totem e tabu: alguns pontos de concordância entre a vida mental dos selvagens e dos neuróticos. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

FURET, François. Pensando a Revolução Francesa. Tradução de Luiz Fernando Cardoso. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

GOLDSCHMIDT, Jean. Anthropologie et politique: les principes du système de Rousseau. Paris: Vrin, 1974.

HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Tradução de Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

HOBBES, Thomas. Leviatã. Organização de Richard Tuck. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

HOBBES, Thomas. Leviathan. Cambridge: Cambridge, 1996.

HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento. Tradução de Luiz Repa, São Paulo: Editora 34, 2003.

HUNT, Lynn. A invenção dos direitos humanos. Tradução de Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

HUNT, Lynn. Inventing Human Rights: A History. New York: W. W. Norton, 2007.

HURSTHOUSE, Rosalind. On Virtue Ethics. Oxford: Oxford University, 1999.

KANT, Immanuel. A paz perpétua. Tradução de Marco Zingano. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

KANT, Immanuel. A doutrina do direito. Tradução de Edson Bini. São Paulo: Ícone, 2003.

KAVKA, Gregory S. Hobbesian moral and political theory. Princeton: Princeton1986.

LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo civil. Tradução de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. Tradução de Jacy Monteiro. São Paulo: Abril Cultural, 1973. (Coleção Os Pensadores).

LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil. Tradução de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. Petrópolis: Vozes, 1994.

MARQUES, Antonio Roberto. Rousseau e a Revolução Francesa. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

MACINTYRE, Alasdair. After Virtue. Notre Dame: University of Notre Dame, 1981.

MACINTYRE, Alasdair. Whose Justice? Which Rationality? Notre Dame: University of Notre Dame, 1988.

MACPHERSON, C. B. The political theory of possessive individualism: Hobbes to Locke. Oxford: 1962.

MASCARO, Alysson Leandro. Filosofia do direito. Barueri: Atlas, 2023.

McGREEVY, Patrick. Os filósofos e a Revolução. Tradução de Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: Editora UNESP, 2001.

NUSSBAUM, Martha. The Fragility of Goodness. Cambridge: Cambridge University, 1986.

PRADO, José Luiz Aidar. Habermas com Lacan: introdução crítica à Teoria da Ação Comunicativa. São Paulo: Educ, 2014.

PUGLIESI, Márcio. Filosofia e direito: delineamentos de uma filosofia do direito. São Paulo: Aquariana, 2022.

PUGLIESI, Márcio. Social clothes: a proposal for a new approach to hermeneutics. London: Lambert, 2025.

PUGLIESI, Márcio. Racionalidade prudencial negativa e responsabilidade pelo Outro. Revista Jurídica da Unicuritiba, Curitiba, v. 4, n. 84, 2025a.

RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. São Paulo: SaraivaJur, 2024.

RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Tradução de Almiro Pisetta e Lenita M. R. Esteves. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

RAWLS, John. Justiça como equidade: uma reformulação. Tradução de Claudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

RAWLS, John. Political Liberalism. Expanded Edition. New York: Columbia University, 2005.

RICOEUR, Paul. Soi-même comme un autre. Paris: Seuil, 1990.

RICOEUR, Paul. O Justo. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou da educação. Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

ROUSSEAU, Jean Jacques. Du Contrat Social. Paris: Gallimard, 1964.

ROUSSEAU, Jean Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

SEN, Amartya. A ideia de justiça. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

SEN, Amartya. The Idea of Justice. Cambridge: Harvard University Press, 2009.

SEN, Amartya. Inequality reexamined. Oxford: Clarendon, 1992.

SEN, Amartya. Commodities and Capabilities. Amsterdam: North-Holland, 1985.

SEN, Amartya. Sobre ética e economia. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

SIEYÈS, Emmanuel Joseph. Qu’est ce que le Tiers État? Paris: GF Flammarion, 1988.

SIEYÈS, Emmanuel Joseph. Écrits politiques. Paris: Éditions des Archives Contemporaines, 1994.

SIMON, Herbert A. Administrative behavior. 4th ed. New York: Free Press, 1997.

SKINNER, Quentin. Visions of politics: Hobbes and civil science. Cambridge: Cambridge, 2002.

SPINOZA, Baruch de. Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

SOPHOCLE Antigone. traduction de Jean Bollack et Mayotte Bollack), Paris, Éditions de Minuit, 1999.

STAROBINSKI, Jean. Jean Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo. Tradução de Maria Lúcia Machado, São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

STRAUSS, Leo. Direito natural e história. Tradução de Miguel Morgado. Lisboa: Edições 70, 2009.

STRAUSS, Leo. The political philosophy of Hobbes: its basis and its genesis. Chicago: University of Chicago, 1952.

TULLY, James. A discourse on property: John Locke and his adversaries. Cambridge: Cambridge, 1980.

VASAK, Karel. Les dimensions internationales des droits de l’homme. Paris: UNESCO, 1978, p. 9 14.

WILLIAMS, Bernard. Moral Luck. Cambridge: Cambridge, 1981.




DOI: http://dx.doi.org/10.26668/revistajur.2316-753X.v2i87.8346

Refbacks

  • There are currently no refbacks.




Revista Jurídica e-ISSN: 2316-753X

Rua Chile, 1678, Rebouças, Curitiba/PR (Brasil). CEP 80.220-181

Licença Creative Commons

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.