OCUPAÇÕES EXTERNAS E A CRIAÇÃO DE REGIMES DEMOCRÁTICOS ESTÁVEIS: A VARIÁVEL DAS ELITES

Douglas Henrique Novelli

Resumo


RESUMO O presente artigo trata da viabilidade da construção de regimes democráticos estáveis por meio de ocupações externas, focando-se especificamente na influência das elites nacionais sobre o processo. Procura-se entender se a exportação do modelo democrático ocidental seria teoricamente possível dentro do arcabouço teórico proposto pela teoria das elites, qual a configuração das elites nacionais seria a mais adequada e quais mudanças estruturais teriam que ser executadas para que se obtenha sucesso ao estabelecer um regime democrático estável. As duas primeiras partes do artigo foram dedicadas à revisão teórica, sendo primeiro observados os apontamentos de Gaetano Mosca e Vilfredo Pareto, pioneiros ao sistematizar os principais conceitos do elitismo, seguido da análise do trabalho de Higley e Burton (1989), focado especificamente na influência das elites nacionais sobre a estabilidade de regimes democráticos. Na terceira parte procurou-se aplicar os achados teóricos obtidos até então a um caso empírico, optando-se pela ocupação norte-americana do Japão no pós-Segunda Guerra. Conclui-se que dois requisitos básicos são necessários para se estabelecer um regime democrático estável em uma nação, sendo: (1) o estabelecimento de um processo de circulação de classes em um ritmo sadio e; (2) o desenvolvimento de uma elite consensualmente unificada. Em teoria, seria possível reproduzir o sucesso do caso japonês em outras nações, mas o tempo e recursos necessários para se obter sucesso aumentaria conforme a configuração inicial das elites nacionais fosse mais fechada e conflituosa, frequentemente requerendo mais recursos do que os Estados ocupantes estão dispostos a empregar.

Palavras-chave: elites; estabilidade de regimes; ocupações externas; construção democrática.

ABSTRACT

This paper discusses the viability of building stable democratic regimes through foreign occupations, focusing on the influence of national elites over this process. Its objective is to understand if the export of the western democratic model is theoretically possible within the theoretical framework proposed by the theory of elites, which configuration of the national elites would be the most appropriate and which structural changes 

would have to be executed in order to succeed in establishing a stable democratic regime. The first two parts of the paper were dedicated to the theoretical revision, firstly of the works of Gaetano Mosca and Vilfredo Pareto, pioneers in systematizing the main concepts of elitism, followed by an analysis of the work of Higley and Burton (1989), focused specifically on the influence of elites on the stability of democratic regimes. In the third part, the theoretical findings obtained until then were apply to an empirical case, opting for the American occupation of Japan in the post-Second War. It is concluded that two basic requirements are necessary to establish a stable democratic regime in a nation, being: (1) the establishment of a process of class movement in a healthy rhythm; and (2) the development of a consensually unified elite. In theory, it would be possible to replicate the success of the Japanese case in other nations, but the time and resources needed to succeed would increase as the initial configuration of the national elites were more closed and conflicted, often requiring more resources than the occupying states are willing to employ.

Key-words: elites; regime stability; foreign occupations; democratic building.


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