A GUERRA DA CRIMEIA, O CZAR NICOLAU I E A SOCIEDADE INTERNACIONAL DO SÉCULO XIX: UMA RELEITURA A PARTIR DAS ESCOLAS FRANCESA E INGLESA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Bruno Hendler, Douglas Novelli

Resumo


A proposta deste artigo é revisitar a Guerra da Crimeia (1853-1856) em três níveis de análise a partir de alguns conceitos da Escola Francesa de História das Relações Internacionais e da Escola Inglesa de Relações Internacionais. Para relacionar o nível individual com o estatal, utiliza-se a obra de Jean-Baptiste Duroselle (2000). Com isso, pretende-se compreender a interação entre o homem de Estado e as chamadas “forças profundas” de uma nação, no caso, a relação entre as idiossincrasias do Czar Nicolau I e o manejo das potencialidades do Império Russo na Guerra da Crimeia. Em seguida, pretende-se relacionar os níveis individual e estatal com o nível sistêmico por meio da concepção de “sociedade internacional” da Escola Inglesa. Desta forma, a Guerra da Crimeia passa a ser compreendida, não apenas como o choque entre nações comandadas por líderes com características singulares, mas também como o ponto de inflexão da ordem internacional construída no Congresso de Viena em 1815. Ao final do trabalho, pretende-se ter contribuído para uma interpretação da História das Relações Internacionais ao estabelecer um diálogo entre a particularidade da visão de mundo de Nicolau I, as forças profundas do Império Russo e as longas durações do sistema internacional.

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