CULTURA DIGITAL E DIREITOS AUTORAIS: REGULAÇÃO NECESSÁRIA

LUCIANA HSIAO TEBALDI DE QUEIROZ BARBOSA, MÁRCIO PUGLIESI

Resumo


Com o advento da revolução digital, a cultura pôde se galvanizar mundialmente, primeiro por meio do uso simples dos downloads e compartilhamentos e, em seguida, com a chegada de aplicativos de streaming. Com o avançar da Inteligência Artificial a cultura passou a ser aprendida por máquina e a se transformar. Entretanto, para estudar arte, música, literatura e outras formas culturais, as máquinas primeiramente precisam acessar o que já existe e não necessariamente aquilo que já existe em domínio público. Muitas obras artísticas são usadas sem autorização para gerar algo “novo” feito por Inteligência Artificial. Há grande questionamento social acerca dos direitos autorais dos artistas que têm suas obras utilizadas nesse aprendizado de máquina e há um questionamento maior ainda sobre a capacidade humana de conter e regular esse mercado.

Objetivos: Esse artigo objetiva trazer luz para os recentes debates acerca dos direitos autorais em época de cultura digital, buscando compreender as possibilidades de uma regulação e a capacidade de averiguação de cópia quando a Inteligência Artificial é utilizada na (re)produção artística. 

Metodologia: Utiliza-se o método dedutivo, por meio de revisão bibliográfica e pesquisa aprofundada acerca das novas tecnologias e correntes de pensamento atuais.

Resultados: O aprendizado de máquina se apropria de textos, músicas, imagens sem autorização formal dos detentores de seus direitos, ocasionando plágio. O Brasil não conta, ainda, com uma regulação de Inteligência Artificial, mas já há diversos esforços nesse sentido mundialmente, aos quais o país pode aderir e há, também, iniciativas do parlamento nesse sentido, mas que aguardam aprovação.

Contribuições: Esse artigo contribui para o debate acerca da necessidade de regulação de Inteligência Artificial no Brasil, principalmente no que concerne à defesa dos direitos autorais em obras culturais.


Palavras-chave


Direito autoral; Direito Digital; Cultura Digital; Inteligência Artificial.

Texto completo:

PDF

Referências


ADORNO, Theodor W. Indústria Cultural e Sociedade. Seleção de textos: Jorge M. B. de Almeida. 5ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

CASTELLS, Manuel. Sociedade em Rede. Vol. I. 8ª ed. Totalmente revista e ampliada. Trad. Ronei Venancio Majer. São Paulo: Paz e Terra, 2006.

CAVALCANTE, Lara Capelo; MEDEIROS, Nicole Barbosa. A Inteligência Artificial como fato social: natureza jurídica, responsabilidade civil e regulamentação. In: PAIVA, Danúbia Patrícia de et al (coord). VI Congresso Internacional de Direito e Inteligência Artificial (VI CIDIA): regulação da Inteligência Artificial II. Belo Horizonte: Skema Business School, 2025.

CICERO, Marcus Tulio. Discussões tusculanas. Trad. Bruno Fregni Basseto. Uberlândia: EDUFU, 2014.

COMISSÃO EUROPEIA. Diretiva do Parlamento Europeu e do Conselho relativa aos direitos de autor no mercado único digital. 2016. Disponível em: < https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/HTML/?uri=CELEX:52016PC0593&from=PT> Acesso em: 19/11/2025.

GUADAMUZ, Andres. Do androids dream of electric copyright? Comparative analysis of originality in artificial intelligence generated works. Intellectual Property Quarterly, v. 2, 2017.

LIMA, Luciana Piazzon Barbosa et al. Análise dos usos de Inteligência Artificial e suas implicações para a diversidade cultural no Brasil. In: BARBOSA, Alexandre F. (coord.). Inteligência Artificial e Cultura: perspectivas para a diversidade cultural na era digital. Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2022. Disponível em: Acesso em: 19/11/2025.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu Costa. Coleção TRANS. São Paulo: Ed. 34, 1999.

PUGLIESI, Márcio. Filosofia e Direito: uma abordagem sistêmico-construcionista. São Paulo: Aquariana, 2022.

PUGLIESI, Márcio. Teoria Geral do Direito: uma abordagem sistêmico-construcionista. Org. Prof. Dr. André Martins Brandão. São Paulo: Aquariana, 2022a.

RÜDIGER, Francisco. Cibercultura e Pós-Humanismo: exercícios de arqueologia e criticismo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.

STEINER, George. No castelo do Barba Azul: algumas notas para a redefinição da Cultura. Trad. Miguel Serras Pereira. Coleção Antropos. Lisboa: Relógio D’Água Editora, 1992.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Administração de Empresas em Revista, e-ISSN: 2316-7548

Rua Chile, 1678, Rebouças, Curitiba/PR (Brasil). CEP 80.220-181

Licença Creative Commons

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.